Auditoria aponta cobranças irregulares no Poupatempo RJ; consórcio ameaça parar serviços

O que é o Poupatempo RJ?

O Poupatempo RJ é uma iniciativa do governo estadual voltada para oferecer serviços públicos de forma mais acessível e eficiente à população. Este programa é reconhecido por permitir a agilização das atividades burocráticas, reunindo em suas unidades diversos atendimentos que antes eram dispersos em diferentes órgãos. O Consórcio Central da Cidadania atua na gestão de algumas unidades, buscando garantir um atendimento que atenda às necessidades dos cidadãos fluminenses.

Como a auditoria foi conduzida?

A auditoria que revelou as divergências nas cobranças do Poupatempo RJ foi realizada pelo Governo do Estado do Rio. O foco da análise foi o contrato firmado em 2023 com o Consórcio Central da Cidadania, responsável pela operação dos postos localizados em Bangu, Duque de Caxias e São João de Meriti. Durante a auditoria, foram comparados os dados reportados pelo consórcio com as informações fornecidas pelos órgãos estaduais, identificando inconsistências nas informações de atendimentos prestados.

Principais achados da auditoria

Os principais achados da auditoria indicaram uma discrepância significativa entre os atendimentos informados pelo consórcio e aqueles validados pelos órgãos públicos. Em junho de 2026, por exemplo, o consórcio alegou ter realizado 845.086 atendimentos, enquanto os registros oficiais contabilizavam apenas 261.783, resultando em uma diferença de 583.303 atendimentos. Essa variação gerou preocupações sobre a veracidade das informações apresentadas pelo consórcio.

auditoria

Divergências nas cobranças

A auditoria apontou que o consórcio incluía na contagem de atendimentos atividades que não poderiam ser contabilizadas como tal, como triagens, orientações informais, cópias de documentos e consultas não registradas. Também foram encontradas inconsistências na contabilização da entrega de documentos, como carteiras de identidade e habilitação. Os serviços precisam ser confirmados pelos órgãos responsáveis, baseando-se na retirada efetiva dos documentos pelos cidadãos.

A notificação do consórcio ao governo

Na sequência da auditoria, o consórcio notificou o Governo do Estado no dia 10 de setembro, exigindo o pagamento dos valores que afirma serem devidos. O consórcio estabeleceu um prazo de cinco dias para a regularização do pagamento, sob a ameaça de paralisar os serviços prestados nas unidades do Poupatempo.

Impacto financeiro das cobranças irregulares

O impacto financeiro das cobranças irregulares é considerável. Com base no valor de R$ 24,20 por atendimento, a diferença encontrada na auditoria representa aproximadamente R$ 14,1 milhões. O governo estadual estimou o total a ser pago no mês em cerca de R$ 15 milhões, evidenciando a gravidade da situação financeira relacionada ao consórcio.

O que disse a Procuradoria-Geral do Estado?

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) está atenta à situação e deverá levar o caso à Justiça com o objetivo de impedir a interrupção dos serviços, caso o consórcio concretize a ameaça de paralisação. A PGE também se dedicará a buscar formas de recuperar valores pagos indevidamente durante o período da contraparte em questão.

Consequências para os serviços públicos

A possível interrupção dos serviços do Poupatempo RJ por parte do consórcio traz repercussões diretas para a população, que depende desses atendimentos para resolver questões relacionadas a documentos e serviços públicos. A insegurança quanto à continuidade desses serviços preocupa tanto o governo estadual quanto os cidadãos que utilizam essas unidades.

Reações do Consórcio Central da Cidadania

O Consórcio Central da Cidadania, que gerencia os serviços do Poupatempo RJ desde 2008, afirmou que nunca recebeu notificação oficial sobre as irregularidades apontadas na auditoria. O consórcio sustenta que continua prestando serviços necessários à população, contando com cerca de 657 funcionários envolvidos nas operações. No entanto, diante das dificuldades com os pagamentos, o consórcio expressou preocupação com a possibilidade de interromper suas atividades.

Próximos passos após a auditoria

A auditoria realizada na gestão interina do desembargador Ricardo Couto será encaminhada tanto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) quanto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Essas instituições terão a tarefa de analisar as informações apresentadas e determinar as medidas cabíveis, visando garantir a transparência e a regularidade dos serviços prestados.